Notícias / Opinião

06 de Janeiro de 2017
Pontualidade na consulta médica: a outra face

A versatilidade dos aplicativos dos smartphones tem se definido como ferramenta útil para propostas eficientes e facilitadoras, todavia ha exceções. Alguns aplicativos são fúteis e/ou pregam o denuncismo irresponsável, fazendo o usuário abdicar da racionalidade.

Recentemente, o meio médico se viu diante da polêmica de um aplicativo que denunciava médicos que não atendiam na hora marcada nos seus consultórios privados. Já não bastavam as consultas gravadas sem consentimento e as agressões noticiadas!

Para os olhos desatentos de alguns, este aplicativo poderia ser um mecanismo de coibição de atrasos abusivos, todavia e preciso enxergar além de si mesmo para entender a situação. Eis aí uma tarefa difícil na contemporaneidade!

Na assistência medica, será sempre um grande desafio estimar as necessidades de tempo para um ser humano fragilizado. Ademais, nesta profissão, a imprevisibilidade costuma ser regra imposta pelas urgências e emergências.

Infelizmente, a sociedade atual optou por modelos egóticos que fomentam o quantitativo em detrimento do qualitativo. Este recente viés substitui, pragmaticamente, o abstrato pelo numérico. Em algumas situações, este dogma é vantajoso, mas, seguramente, não é o caso da assistência médica. 

Todos os médicos sérios querem atender pontualmente os seus clientes, mas nem sempre conseguem pelas peculiaridades da profissão, assim como pelas agruras da vida moderna, aqui resumidas na mobilidade urbana. Ademais, nao há rota de fuga do estresse nem desvios de responsabilidade na medicina. Daí os estudos demonstrarem o adoecimento precoce e a taxa de suicídio entre médicos superior àquela observada em outras profissões liberais.

Uma das angústias profissionais é o gerenciamento do tempo. Isso porque não é possivel transformar em minutos as necessidades de um ser humano. Assim, é muito difícil finalizar uma consulta médica quando o profissional sente que ainda pode minorar o sofrimento do paciente diante de uma notícia desfavorável ou frente aos seus receios. Há de se reservar tempo para o conforto do ser humano vulnerável. Deste modo, o tempo e refém das necessidades de cada paciente. Só um egoista pode optar por uma escala numérica de tempo numa relação tão delicada como a do médico com o seu paciente. So a incapacidade de se colocar no lugar do outro pode justificar este juizo de valor.

Em contrapartida, hoje denunciamos a marcacão de pontuais consultas a cada 20 minutos no SUS. Este absurdo é que precisa ser combatido. Já os pacientes privados que se impacientam com o eventual descumprimento do horário, diferente dos usuários do SUS, podem escolher os profissionais que mais se encaixam no seu conceito de valores. Quanto paradoxo!

 

Fonte: SINDIMED 

Raymundo Paraná
Médico, professor da Faculdade de Medicina da Bahia-Ufba
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