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FEBRASGO critica reportagem sobre Violência Obstétrica da TV Globo

Manifestação da FEBRASGO sobre reportagem veiculada no programa Profissão Repórter da TV Globo sobre o tema Violência Obstétrica

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A FEBRASGO (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia) é uma entidade filiada à Associação Médica Brasileira (AMB) que tem como responsabilidade, entre outras, a emissão dos títulos de especialista em Ginecologia e Obstetrícia. Tem no seu quadro associativo mais de 15.000 médicos Obstetras e Ginecologistas em todo território nacional. Tem como seu propósito maior “Organizar e divulgar conhecimentos em ginecologia e obstetrícia para qualificar a atenção à saúde da mulher”.

Com esta representatividade e com este propósito, a Febrasgo vem a público para expressar a sua indignação com a matéria “Violência Obstétrica veiculada através do Programa Profissão Repórter da TV Globo no último dia 12 de dezembro.

A referida reportagem mostrou dois modelos de assistência obstétrica, um chamado de violento e outro dito humanizado. Baseou suas informações em depoimentos de gestantes, parturientes, enfermeiras, doulas e acompanhantes, sem ouvir com a mesma atenção e espaço os médicos obstetras. Tampouco, ouviu suas entidades representativas.

A referida matéria deixa a entender, ainda que subliminarmente, que as doulas são essenciais e fundamentais na assistência ao parto. Não refere de igual modo a importância do acompanhamento do trabalho de parto pelos médicos obstetras e, passa a ideia equivocada de que todos os infortúnios da assistência obstétrica devem ser debitados a este especialista que, também aparece na matéria praticando a violência obstétrica. Trata o obstetra como figura única e de comportamento nefasto, deixando de reconhecer que estes profissionais, em sua imensa maioria, trabalham diuturnamente, para salvar vidas maternas e de recém-nascidos, bem como para oferecer atendimento gentil e acolhedor a praticamente todas as gestantes e parturientes por eles assistidas. Exceções, claro existem, não podem ser aceitas, devem ser combatidas, mas estão longe de serem regras que envolvam o trabalho digno de, praticamente, todos os médicos obstetras. Não podemos aceitar que se endeusem as doulas e que se demonizem os médicos obstetras. Nem uma coisa, nem outra. Os obstetras são profissionais bem formados a serviço da assistência médica da população e merecem respeito e consideração.

Para uma melhor compreensão do momento pelo qual passa a assistência obstétrica no mundo todo e também aqui no Brasil, cumpre contar um pouco da história da Obstetrícia ao longo das últimas décadas. Desde que a assistência ao parto passou a ser realizada, preferencialmente, em ambiente hospitalar, os recursos técnicos disponíveis para um desfecho exitoso acabaram por aumentar o número de intervenções médicas, ainda que, com base nos conhecimentos vigentes de então, sempre na busca de melhores resultados maternos e perinatais. Este modelo, denominado intervencionista, recomendava de forma rotineira, entre outras intervenções, a prática de amniotomia (rotura artificial da bolsa amniótica), a indução do trabalho de parto com ocitocina e realização de episiotomia (corte feito no períneo da paciente para alargar o canal de parto). Entretanto, nos últimos anos, à luz das melhores evidencias cientificas, a utilização destas práticas têm sido restrita a casos específicos, com indicações pertinentes e dentro das boas práticas obstétricas atualmente aceitas.

Cabe considerar também que, mesmo tratando-se de processo fisiológico, recomenda-se a vigilância da evolução do trabalho de parto em todos seus períodos, para que, quando necessário, a intervenção do profissional habilitado, médico obstetra, possa evitar ou minimizar desfechos desfavoráveis para a mãe e o recém-nascido.

A FEBRASGO participa ativamente desse momento de transformação do modelo de assistência obstétrica e tem posição favorável favorável ao trabalho conduzido por equipe multiprofissional, composta por médico obstetra, enfermeira (o) obstetra, médico anestesista e médico neonatologista. Também estimula a presença do acompanhante de escolha da gestante. Acredita, com esta proposta, em melhoria dos resultados atuais e melhor acolhimento das gestantes e parturientes. Por outro lado, igualmente, vislumbra um engajamento pleno e uma maior realização por parte de todos os participantes da equipe multiprofissional envolvida.

Sempre atenta aos avanços do conhecimento cientifico e a sua divulgação no âmbito da nossa especialidade, a FEBRASGO é apoiadora atuante dos dois projetos de âmbito nacional, o Projeto Parto Adequado e o Projeto Ápice ON, que visam capacitação e atualização das boas práticas de assistência obstétrica. Tem a convicção de que estes projetos trarão ao longo do tempo de sua implantação os melhores resultados para as mães e os recém-nascidos.

Por importante, deve ser enfatizado que a utilização da expressão “violência obstétrica”, não significa violência praticada única e exclusivamente por um médico obstetra. Se praticada por este profissional, claro, é uma violência com esta origem. Entretanto, a violência obstétrica vai muito além disso. Envolve situações multifatoriais que passam entre outras, pela falta de vagas em maternidades, dificuldade de acesso das gestantes às maternidades, falta de ambiência adequada para o parto normal nas maternidades, mau atendimento do pessoal administrativo, e em algumas vezes, situações que envolvem o atendimento prestado pela equipe de saúde. Contudo, o uso da referida expressão tenta demonizar a figura do médico obstetra, entregando-lhe, levianamente, a responsabilidade exclusiva pelas dificuldades do atendimento e por eventuais maus resultados na assistência ao parto e nascimento, com o que, por tudo aqui referido, não podemos concordar.

Dessa forma, a FEBRASGO reitera seu compromisso com as boas práticas em Obstetrícia, registra a sua indignação com o conteúdo da matéria veiculada pelo Programa Profissão Repórter da TV Globo e manifesta seu inteiro respeito pelo bom, competente e digno trabalho prestado pela imensa maioria dos obstetras brasileiros. Eles sempre tiveram e continuam tendo nossa inteira reverência.
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