17h07

Veja artigo do presidente da ABM publicado em A Tarde (Telemedicina)

Robson Moura - Presidente da Associação Bahiana de Medicina (ABM)

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Tenho lido e ouvido comentários sobre os milagres que a telemedicina promete. No entanto, a telemedicina sozinha não fará milagres. Ela pressupõe um computador, tablet ou celular com visibilidade mínima e uma infraestrutura de wifi. Vivemos num país em que grande parte das comunidades não têm sequer saneamento básico e rede de energia elétrica.

 

A Telemedicina não vai resolver o problema das pessoas mais carentes e de regiões isoladas, pois muitas não têm acesso à internet ou equipamentos tecnológicos. Outras, quando têm contato com os aparelhos, não sabem manusear a ferramenta.
 

O Conselho Federal de Medicina deveria ter ouvido associações médicas e conselhos regionais ou sociedades médicas de especialidades para debater previamente o assunto, antes de elaborar e publicar a Resolução. Todos os médicos, de maneira geral, foram surpreendidos porque há uma série de questionamentos graves a serem analisados: como se dará a implantação do modelo de atendimento, de que forma isso vai acontecer, se é possível fazer telemedicina em especialidades como oftalmologia, e como se dará a validação de receita de antibiótico nas farmácias. É preciso discutir.
 

O médico quer, sim, atender o paciente. E com a melhor qualidade possível. Não adianta arriscar a vida do paciente e a credibilidade do trabalho do médico com consultas mal direcionadas, com qualidade de internet ruim, conversas inaudíveis, informações desencontradas, inviabilizando diagnósticos ou contribuindo para diagnósticos incompletos ou mal embasados.
 

Há risco de segurança de dados. É necessário que o médico se cerque de segurança dos dados do paciente para que não seja processado por transmissão de dados ou abertura indevida deles. Além disso, não existe exame físico do paciente por parte do médico. Como prescrever tratamento ou outros procedimentos sem examinar o paciente?
 

Os médicos não são contra a telemedicina, quase todos os países desenvolvidos já utilizam. Mas é importante ressaltar que o exame físico nos permite conclusões mais adequadas do ponto de vista técnico e a tomada das medidas mais indicadas, inclusive com a solicitação de exames complementares, caso necessários, com indicação mais precisa.
 

Outro ponto que defendemos é que a telemedicina não substitua a carreira médica de Estado. O ideal para a população é ter o médico perto dela e, para tanto, são necessárias condições de trabalho, de infraestrutura criada pelo Estado, para o atendimento digno e de qualidade à população.

Nós e a população estamos do mesmo lado. Não queremos atalhos para resolver a questão da saúde pública. Defendemos atendimento de qualidade e não podemos nos afastar dos princípios éticos que sempre nortearam nosso trabalho.

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