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Grupos de pesquisa têm artigos publicados em campo internacional

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Fruto de um trabalho de dois anos e meio, a parceria do grupo de pesquisa GEMINI, de grande destaque em pesquisa médica, junto ao grupo MONSTER Initiative, que é uma rede multinacional em ciência médica com sede na Bahia, gerou três publicações internacionais de artigos, com outros três em revisão. As publicações também tiveram a participação de alunos de quatro universidades, como coautores.

Os trabalhos do grupo GEMINI começaram após tratativas envolvendo Dr. Nivaldo Filgueiras, atual diretor e vice-presidente eleito da Associação Baiana de Medicina(ABM), e Dr. Sydney Agareno, ainda no início de 2015, sobre a implantação de um núcleo de pesquisa no Hospital da Cidade. Posteriormente foi desenvolvida uma série de resumos para congressos, nacionais e internacionais, que culminaram em apresentações por estudantes de medicina de temas livres orais, no maior Congresso de Medicina Intensiva do mundo: o Congresso Europeu. Feito que se repetiu consecutivamente ao longo dos anos.

“Iniciamos com apresentação no Congresso em Milão, depois fomos para Viena, Paris e por último Berlim. Foram mais de 12 trabalhos apresentados em congressos internacionais, o que já levou a uma publicação numa revista da Intensive Care Medicine, chamada Intensive Care Medicine Experimental. Além disso, ao longo desses anos foram desenvolvidos vários projetos de TCC e muitos desses alunos que começaram como estudantes tornaram-se médicos e alguns deles permanecem no projeto”, explicou Dr. Nivaldo, que também é presidente da Sociedade Norte–Nordeste de Cardiologia (SNNC).

Há cerca de dois anos e meio, houve a possibilidade de ampliação do projeto, após Dr.Nivaldo encontrar com Dr. Bruno Bezerril (diretor científico do grupo MONSTER e médico pesquisador da FIOCRUZ), durante uma premiação da Universidade Salvador (UNIFACS). A partir daquele momento, eles iniciaram estudos em conjunto. “Nós sentamos e resolvemos unir forças, para desbravar de forma mais ampla a área da medicina intensiva. Eu queria deixar essa mensagem de como dois professores, que se conheceram de forma fortuita, de forma ímpar, numa premiação para publicação, resolveram se associar, fazendo com que pesquisas feitas na Bahia pudessem transpassar as nossas fronteiras. Hoje, o resultado disso é, que ao longo de dois anos e meio, nós já tivemos três artigos aceitos para publicação em revistas de alto impacto em medicina”, comemorou Dr. Nivaldo.

Ele também destacou a importância da iniciativa servir de exemplo para outros profissionais. “É importante que os profissionais se associem e façam pesquisa em sua cidade. O fato da parceria entre o GEMINI e o MONSTER terem resultado em publicações internacionais gera a possibilidade de que os grupos de pesquisa ultrapassem as barreiras do país”, completou.

MONSTER - O grupo Multinacional Organization Network Sponsoring Translational Epidemiological Research (Monster) atua em 17 países, através de uma rede de estudos clínicos (ensaios clínicos) e de imunologia aplicada em medicina de precisão. O grupo realiza diversas pesquisas ao redor do mundo, por meio de financiamento de diversas instituições internacionais, como a Fundação Bill & Melinda Gates, a Wellcome Trust e o National Institutes of Health (NIH). O intuito é utilizar os recursos para realizar pesquisas de alta qualidade e financiar cientistas que estão iniciando a carreira. 

 No Brasil, a rede colaborativa do grupo MONSTER possui centros em Manaus, Rio de Janeiro e Salvador. Só no ano passado, o grupo teve mais de 30 artigos publicados. E de acordo com Dr. Bruno Bezerril, os artigos dão sugestões de novos biomarcadores, novos modelos preditivos de desfechos desfavoráveis em pacientes com HIV, tuberculose, malária, leishmaniose e um série de outras doenças, além de testar algumas vacinas e novas terapias individualizadas. 

A parceria do grupo com o GEMINI surgiu em meio ao interesse de estudar a área desenvolvida por Dr. Nivaldo. “Eu tinha infectologistas no time, mas não tinha intensivistas. Então eu procurei Nivaldo e sugeri que pudéssemos usar a expertise complementar, para fazer algo que impactasse no ramo”, destacou Dr. Bruno, que também é professor adjunto da Vanderbilt University e da Johns Hopkins School of Medicine, além de integrar o quadro de pesquisadores associados ao NIH, tudo em parceria com a FIOCRUZ-Bahia.

A parceria gerou, além da publicação na revista Clinical Infectious Diseases da Oxford, um editorial inspirado no artigo desenvolvido em parceria pelos grupos. Para Dr. Bruno, esse conhecimento é útil para aperfeiçoar processos, além de gerar um ganho real de conhecimento. “Um dos artigos que estão em avaliação indica que o índice de massa corpórea (IMC) do paciente crítico é uma variável muito importante pois está relacionada ao poder de predição dos escores utilizados nas UTIs de desfechos clínicos desfavoráveis dos pacientes. Ao saber disso, cria-se a necessidade de otimizar os escores ou de se ter o manejo mais adequado conforme o IMC do paciente, para poder tentar reverter qualquer fator de risco”, pontuou o pesquisador.

Ele ainda destacou a possibilidade da ciência desenvolvida na Bahia contribuir para a reversão e mudança de desfechos de diversos pacientes críticos. “O nível de ciência na Bahia, em diversas áreas médicas, é a chave para que vários serviços de excelência transformem o cenário atual, com impacto direto em qualidade de serviço e reversão ou mudança de desfechos de pacientes. É a ciência diretamente promovendo a melhoria da assistência”.

Abrindo portas - O grupo GEMINI também foi responsável por abrir portas para recém-formados em medicina, como foi o caso de Dr. Rodrigo Menezes. No grupo ele encontrou a oportunidade de discutir e ter acesso a informações mais complexas sobre a operação de serviços de saúde como determinantes biológicos de doenças, tema que não é muito discutido com grande complexidade na graduação. 

“O GEMINI me abriu muitas portas. O grupo me permitiu ter acesso e desenvolver certas inteligências que não são abordadas na graduação, como a inteligência analítica (saber ler e produzir um abstract, um artigo, projetos), assim como lidar e gerenciar grupos de pessoas. Nesse período, consegui conciliar o estudo com o grupo de pesquisa, apresentar dados fora do país, em inglês, para uma plateia de pessoas interessadas”,lembrou Dr. Rodrigo. 

Além disso, o grupo também foi um caminho para que o recém-formado pudesse conhecer pessoas, e despertou nele o interesse em seguir com pesquisas. “O GEMINI me abriu portas também pela questão do networking: conheci pessoas, e mudou muito a minha forma de ver a carreira médica. Vendo a iniciativa dos meus professores, vi que não era impossível, mesmo em um país em que a ciência ainda não é tão valorizada,seguir fazendo pesquisa. E assim, por conta da minha produção no GEMINI, ingressei diretamente em um programa de doutorado em patologia humana na UFBA-Fiocruz”. 

Centro de Pesquisa clínica - O Dr. Sydney Agareno, diretor do Hospital da Cidade, foi o responsável pela criação de um centro de pesquisa clínica com o intuito de promover a integração entre o setor assistencial, a extensão e a pesquisa científica.

Criado em 2014, em parceria com a enfermeira Lívia Magalhães, o centro tem o objetivo de promover a integração entre o setor assistencial, a extensão e a pesquisa científica para subsidiar e alavancar as iniciativas do hospital. “Sempre com o foco na qualidade, humanização, experiência do paciente e na segurança assistencial, nosso objetivo é promover a integração entre os setores. Nossa meta é ser um centro de referência regional na linha de cuidado ao paciente crítico”, pontuou Dr. Sydney.

Contando com o apoio de Dr. Nivaldo Filgueiras no andamento das atividades desenvolvidas pelo centro, o diretor do Hospital da Cidade destacou também a importância da pesquisa no que se refere aos frutos que ela pode oferecer à comunidade. 

“A pesquisa agrega valor ao centro e à comunidade ao gerar e divulgar conhecimento,promovendo o desenvolvimento e a qualificação de estudos clínicos, fomentando a formação de recursos humanos, contribuindo para a inovação e o desenvolvimento

técnico-científico na assistência, de acordo com os princípios éticos e valores defendidos e praticados pelo Hospital da Cidade”. Ele defende ainda que a ciência, saúde e tecnologia são imprescindíveis para o desenvolvimento econômico e social. Para Agareno, o centro de pesquisas é uma ferramenta de desenvolvimento, refinamento e expansão do conhecimento.

“Trata-se de uma instituição que tem como objetivo a excelência no atendimento, perpetuidade, qualidade técnica, respeito e humanização. Não se pode abrir mão de investimentos na produção do conhecimento e reavaliação constante dos seus processos, condutas e padrões técnicos”, concluiu.

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